HOJE É DIA DE PROTESTO

Por Breno Cavalcante/Especial/Sul21

 

Mesmo com redução de tarifas em várias capitais, manifestantes mantêm atos públicos em dezenas de cidades em todo o País

Apesar do anúncio da redução das tarifas de ônibus no Rio e em São Paulo, o dia voltou a ser marcado por manifestações nas duas capitais e várias outras cidades do País. O dia de hoje também promete ser de manifestações em todo o Brasil, incluindo  Teresina, onde  ato está programado para as 16h de hoje, começando pelo avenida Frei Serafim, em frente ao Hipermercado.

Mais de 1 milhão de pessoas se comprometeram, por meio das redes sociais, a comparecer aos protestos convocados em pelo menos 80 cidades, 17 delas capitais. Além das cidades grandes, as manifestações devem paralisar, ainda, municípios de médio porte. Em um esforço para frear atos de vandalismo – inclusive os saques – os próprios organizadores reforçam, na rede, o caráter pacífico das passeatas.

A maior parte das manifestações acontecerá simultaneamente e no horário de saída das pessoas do trabalho. No Rio, o protesto “Um milhão na rua”, com início às 17h, vai caminhar da Candelária até a prefeitura. Na capital paulista, a concentração será também às 17h, na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista.

“Mesmo com a diminuição da passagem, o ato está confirmado. Émuito mais que 20 centavos que queremos. Queremos que seja paga do lucro dos empresários”, diz texto na página do Facebook que convoca para o protesto carioca.

“Embora o nosso protesto seja pacífico, estamos preocupados com a segurança das pessoas. Vamos fazer o possível para manter o grupo coeso dentro do trajeto que foi votado em reunião e firmes nos nossos objetivos”, disse Gabriel Siqueira, de 23 anos, professor de história que faz parte do Movimento do Passe Livre.

A orientação do comando à PM é a mesma das última duas manifestações: permitir a passagem pela cidade e reprimir apenas atos de vandalismo.

ONTEM

Em várias cidades, ontem também foi dia de protesto. Em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, um protesto contra o aumento das tarifas do transporte público na noite de ontem causou a interdição da ponte que liga a cidade à capital. Vários confrontos entre manifestantes e policiais, que usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o grupo foram registrados. O anúncio da redução da tarifa, de R$ 2,95 para R$ 2,75, feito pela Prefeitura de Niterói enquanto o protesto acontecia, não impediu que a confusão continuasse e até aumentasse.

A ponte foi interditada pela concessionária quando alguns manifestantes se dirigiam para lá. A Tropa de Choque foi acionada para impedir que os ativistas ocupassem a ponte. Sacos de lixo foram incendiados e a PM usou bombas de gás lacrimogêneo.

Em São Paulo, um dia após a tentativa de invasão à prefeitura da cidade, a Polícia Civil prendeu o jovem Pierre Ramon Alves de Oliveira, 20, que aparece em imagens como um dos integrantes do grupo que destruiu a entrada da sede da administração municipal na terça-feira.

Oliveira estuda arquitetura numa universidade privada e é filho de um empresário da área de transportes. Segundo a polícia, ele não tem antecedentes criminais. Não é ligado ao Movimento Passe Livre e nem a um partido político.

No Facebook, o jovem se diz adepto de artes marciais, como muay thai e jiu-jitsu, das quais ele compartilha páginas oficiais. Fotos na rede social mostram Oliveira abraçado com amigos pouco antes dos atos de vandalismo. Ele prestou depoimento no Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado. A polícia confirmou sua identificação após ouvir testemunhas e comparar a foto dele com as que constam na sua página em redes sociais.

Vestindo uma camisa branca, Ramon usava uma máscara contra gás lacrimogêneo na hora do protesto, mas abaixou a máscara várias vezes, mostrando o rosto. A polícia deve pedir a prisão temporária de Ramon por dano a patrimônio público e formação de quadrilha. O acusado não foi o primeiro a atacar a prefeitura, mas usou uma barreira metálica para quebrar vidros da entrada. “O menino é trabalhador. Ajuda o pai em uma empresa familiar. Não é um criminoso”, disse um investigador.

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