ANA CAROLINA LANNES, A FILHA MALTRATADA DE CARMINHA EM AVENIDA BRASIL, TEM DOIS PAIS

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Atualmente no papel de Ágata, a filha maltratada de
Carminha (Adriana Esteves) e Tufão (Murilo Benício), em Avenida Brasil, da
Globo, a atriz mirim começou a carreira aos 5 anos. ”A Adriana (Esteves)
ficava preocupada no início da novela, dizia que tudo o que ela fazia nas cenas
não era pessoal. Mas sei separar a realidade da ficção. Ficaria louca se
levasse para minha vida”, comenta Ana. A menina já participou das
tramas Duas Caras(2007), Ciranda de Pedra (2008) e Tempos
Modernos (2010). Superfalante, ela nunca conheceu o pai e perdeu a mãe,
Liane Lannes, quando tinha apenas 4 anos.

Hoje, Ana é criada por dois pais: o comissário de bordo Fábio Lopes, 35, seu
tio por parte de mãe, que tem a guarda há sete anos, e seu companheiro, o
dermatologista João Paulo Afonso, 30. ”Seis meses antes de a minha irmã
falecer, ela pediu que, caso algo acontecesse, era para eu cuidar da Ana. Lutei
muito pela guarda. O juiz não queria me dar”, explica Fábio.

Nascida em Sapucaia do Sul, próxima a Porto Alegre, Ana se mudou para São
Paulo. Com incentivo do tio, entrou para uma agência de jovens talentos e
passou a fazer testes. Hoje, ela se divide entre a capital paulista, onde mora
com os pais, e Rio de Janeiro, local de seu trabalho.

No Rio, Ana passa a semana com a meia-irmã Letícia, 22. ”Levanto às 6h e vou
para a escola. Este ano a minha menor nota foi 9! Às 13h, o motorista da Globo
me pega em casa e só volto às 22h. Deito por volta das 23h. À noite é o melhor
momento para decorar os textos da novela. Tento me esforçar ao máximo. Estou
lutando para conseguir um contrato”, explica a atriz.

Como sua mãe faleceu?

Eu estava assistindo TV na sala quando bateram no portão, saí para ver e era
uma daquelas vendedoras de produtos de beleza. Ela perguntou pela minha mãe,
então, fui chamá-la. Bati na porta do quarto várias vezes, mas ela não abriu.
Avisei para a vendedora que ela estava dormindo. Nesse momento, ouvi um barulho
muito grande. Entrei desesperada e fui direto para o quarto. Minha mãe estava
caída no chão, entre a cama e a parede. Eu perguntava o que tinha acontecido,
mas ela não respondia, não conseguia falar. Liguei para a emergência, mas
pensaram que era trote. Pedi ajuda para uma vizinha, que chamou o resgate. Mas,
infelizmente, ela chegou  praticamente morta ao hospital. Disseram que ela
teve um AVC (acidente vascular cerebral). Se tivesse sobrevivido, iria ficar vegetando.

Como lidou com essa situação?

Eu me sentia culpada, muito culpada. E chorava muito por causa desse
sentimento. Na minha cabeça, podia ter feito algo. Passei por um psicólogo até
consegiur superar esse sentimento.

Quais lembranças tem de sua mãe?

Ela usava roupas justas, adorava esmaltes vermelhos. Lembro-me de que lia
histórias para mim na casa da árvore feita pelo meu padrasto (Antônio). Como
vivi pouco tempo com ela, não sofri tanto como minhas irmãs (Letícia, 22, e
Juliane, 30). Penso que, se minha mãe não tivesse ido, talvez eu não teria
iniciado minha carreira. Quando morava no Sul, minha vida era bem humilde. Deus
sabe o que faz.

Como foi a adaptação com seu tio?

Não o conhecia. Tive medo. A Veridiana, uma afilhada da minha avó (Tereza), que
era como se fosse uma mãe para mim, veio morar comigo em São Paulo até eu me
acostumar.

Depois que começamos a criar uma relação afetiva e vi suas atitudes como pai, a
adaptação foi fácil.

Como é ser criada por dois pais?

É tranquilo. Eles têm atitudes normais de pais: educam, repreendem, dão amor,
carinho, ajudam quando preciso me arrumar. Tive uma babá que falava: ”Coitada
de você quando menstruar e for namorar. Imagine você sozinha com dois homens
(risos)!” Mas tenho certeza de que, quando isso acontecer, eles vão saber o
que fazer.

Quem é mais durão em casa?

O tio João. Ele é turrão. Quando fala algo, não cede. Agora, o tio Fábio é
maleável. Consigo dobrá-lo facilmente (risos). Meu signo é Touro. Então sou um
pouco respondona. Mas, toda vez que brigo com meus pais, peço desculpas.

 

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